19 de jun. de 2011

De volta para minha terra, digo, minha casa - Retiro Espiritual (6ª parte)



Continuando conforme prometí no 5º capítulo da minha aventura "Retiro Espiritual", vou contar agora como foi nossa experiência (minha filha e eu) de retorno da viagem.


Nossos corações bateram descompassadamente no momento em que entramos no carro, com as malas no colo, pensando no nosso lar. Não víamos a hora de chegar. Talvez por não termos o hábito de passarmos muito tempo fora de casa, nos sentíamos como peixinhos fora d'água.


A mulher que nos deu carona, embora tenha feito uma boa ação para conosco, não parecia estar muito satisfeita com nossa presença. Pelo menos foi essa a impressão que me passou.
Estávamos acompanhadas de uma outra moça que havia feito amizade com ela no ashram e isto, de certa forma, poupou-me de ser amistosa com alguém com quem não sentí afinidade.


Sei que estou sendo muito presunçosa mas sempre tive esse radar comigo. Talvez, por ser muito observadora e ter uma sensibilidade mais à flor da pele, consigo sentir a aura das pessoas e (talvez esteja sendo indelicada e mal agradecida) esta mulher em especial não me passou um sentimento de bem estar com sua presença.


Como disse antes, minha intenção era ter uma carona para a rodoviária. Como o monge disse que ela nos levaria até o Rio, minha filha convenceu-me a aceitarmos.
Bem, já dirigí durante algum tempo e conheço as manobras de trânsito, mas ela quase conseguiu me convencer o que já é conhecido entre os homens: mulher dirige mal.
Aquela dirigia. E muito mal. Quando estávamos no centro de Teresópolis, comecei a me arrepender. Ela cortava os carros, pulava da direita para fazer uma curva à esquerda passando na frente de outros veículos sem sinalizar, acelerava constantemente, forçava o carro na 3ª marcha (acho que só conhecia essas três), um horror.


Comecei a rezar.


Entre minha filha e eu havia a mala. Providência nº 1: trocar a mala de lugar com a minha filha, deixando a porta longe da minha pimpolha. Se algo deveria voar pela porta, que fosse a mala. Eu, me agarrando de um lado, e abraçando minha filha do outro. O instinto de preservação da minha espécie falou mais alto.


Quando lembrei da Serra, minhas orações tornaram-se mais intensas. Obviamente, eu estava com razão. A cada curva, eu suava e arregalava os olhos para a janela, avistando os despenhadeiros. Meu Pai! Que sufoco! A mulher fazia as curvas como se estivesse numa pista de corrida.


Finalmente a primeira intervenção no trânsito. Por conta das obras, fomos obrigadas a ficar alguns minutos (que pareceram séculos) paradas esperando que nossa mão tivesse a vez de atravessar a pista única. Não sabia se ficava feliz ou triste porque uma vez paradas, no meio do nada, significava que o sonho de voltar para minha casa ficava cada vez mais distante. Por outro lado, a mulher não estava dirigindo e isso dava uma certa segurança (falsa, mas dava tempo de renovar minhas preces). Cochilei por alguns instantes, sendo vencida pelo meu cansaço, ouvindo as proezas que ela contava para amiga, de como ganhava muito bem no serviço público, de como era dominante com os subalternos, que morava sozinha num apartamento da zona sul, que tinha TV de plasma de não sei quantas polegadas, enfim, "gente fina"...


Quando o carro voltou a andar, logicamente acordei. A adrenalina a mil. Novas preces.


Continua ...



Para acompanhar:


15 de jun. de 2011

O melhor amigo do homem (denúncia)



Fonte da imagem: TSgt. Manuel J. Martinez

Em 05 de maio, com o comunicado da morte do Bin Laden pela imprensa, lí uma matéria que me deixou chocada. Se fosse da Sociedade Protetora dos Animais, faria um mega esforço para criar alguma legislação que proibisse esse tipo de "arma" utilizada pela polícia americana (sempre eles, lógico).


Segue abaixo a reprodução da matéria, publicada em www.tecmundo.com.br:


"Não foram apenas os soldados da equipe militar norte-americana os responsáveis pelo sucesso da missão de achar e matar o terrorista Osama Bin Laden no dia 1° de maio. O cão que auxiliou o grupo de 75 militares no Paquistão possui treinamento especial, modificações no corpo e até equipamento próprio para participar dessas operações.O jornal The Daily realizou uma reportagem que expôs o treinamento e as funções da unidade canina do exército norte-americano, que pode ser tão perigosa quanto os fuzileiros. Entre os acessórios equipados no cão, destacam-se máscaras de oxigênio para saltos aéreos, uma microcâmera para transmitir imagens ao comandante e outros soldados, uma escuta para receber ordens diretas do treinador e uma vestimenta bem ventilada que aguenta até pequenos fragmentos de artilharia.
Os 2,7 mil animais em atividade no país são treinados para suportar condições de guerra, como temperaturas altas ou saltos de veículos em movimento. Além disso, o exército frequentemente substitui a dentição dos cachorros, implantando próteses de titânio que são comparados a pequenas lâminas – sob o custo de U$S 2 mil por dente. Desse modo, além de escolta e reconhecimento de locais, os animais também servem como unidade de ataque.
O farejador de bombas que acompanhou a caça a Bin Laden deve agora ser colocado para adoção, caso não participe de nenhuma outra atividade militar.
Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/9937-cao-que-participou-de-busca-por-bin-laden-tem-ate-dentes-de-titanio.htm#ixzz1P7NIwBRD"


Já sou totalmente contra a utilização de animais como os cães para combate, e agora chegam ao cúmulo de arrancar os dentes dos animais para substituí-los por titânio (pequenos volverines) além de torturá-los em treinamentos insanos (e acredito que muitos não sobrevivem), para, após alguns anos, na hora de curtirem a aposentadoria como heróis de guerra, serem colocados para adoção. E quem adotaria?
Logicamente, condená-los à morte seria tão cruel como a vida que levam mas deveria ser obrigatório, registrado nos artigos da conduta militar norte-americana, que cada treinador, cada soldado, capitão, sargento, ou quem quer que tenha trabalhado com eles, os adotem, por respeito, por amor, por gratidão.
Pelo menos isso é o que se espera dos seres ditos humanos...
Fica a denúncia.

12 de jun. de 2011

A arte de criar Arte



Pegando uma carona na postagem da minha mais nova colega Ana M M Pereira, em seu blog "Ler ou não Ser", lembrei do meu dom adormecido de artesã.


Em uma de suas últimas postagens, ela escreveu sobre 


Reduzir... Reutilizar... Reciclar... Artesãs que Realizam!



Gente, acho que um dos dons que Deus nos deu, e que me deixa fascinada, é a criatividade, a arte de criar objetos e, embarcando na premissa mundial em que devemos procurar reciclar sempre, criar uma peça utilizando outras que já existiram antes, com outra finalidade e que, por não ter mais essa função, torna-se um objeto de grande valor (não financeiro, mas sentimental, artesanal) é, por si só, um ato de criatividade divina.


Já produzí decorações para festas infantis, bijouterias, peças em EVA, pinturas em gesso, cartões em papel vegetal, dentre outras coisas que já nem lembro mais, mas minha última incursão no mundo do artesanato foi justamente o reaproveitamento de materiais que normalmente vão para o lixo, transformando-as em  peças de luxo (ops, como diz meu blog, do lixo ao luxo...).


É gostoso ver o resultado deste trabalho. É compensador.




Parabéns àquelas pessoas que se dedicam de corpo e alma a essa arte.


Fotos do artigo: Mandalas que criei a partir de CDs inutilizados.

Reinventando minha vida: Atividades Prazerosas



Olá, antes de contar como foi meu retorno do Ashram, resolví compartilhar minha mais nova experiência.
Matriculei-me em um curso de Parapsicologia na Faculdade Simonsem (cursos comunitários) em Realengo, e ontem foi minha primeira aula.
Simplesmente a-d-o-r-e-i. Quem mora no Rio, deveria inscrever-se na próxima oportunidade, se bem que se você se inscrever ainda nesta semana, conseguirá pegar a partir da 2ª aula. Pena que são 4 aulas somente, aos sábados, das 14:00 às 18:00. Custa somente R$ 15,00.
O professor é o Marcio Pontes, psicólogo renomado, palestrante, possui um consultório em Bangu e um site incrível. Em seu blog, também publica artigos muito úteis para quem procura qualidade de vida. Já o acompanhava há alguns anos, recebendo mensagens semanalmente, mas conhecê-lo foi mais incrível ainda. 
Possuidor de uma mente brilhante, perspicaz e repleta de conhecimento transcedental, foi um prazer assistir à sua primeira aula.
Fomos do Big Bang à Fisíca Quântica, passando por Newton, Rivail, Maçonaria, Revolução Francesa, Precognição, Recognição e, logicamente, Jesus, Biblia, Vaticano, e tantos outros assuntos que se relacionam entre si de uma forma como eu nunca havia tido tempo para analisar.
Nota Dez para o curso e tenho que certeza de que quando acabar, ficará um gosto de quero mais na minha mente, ávida por conhecimento.
Já me inscreví no outro curso dele, Controle da Mente, que começará em julho. Quem fez, aprovou.
Não pretendo perder esta oportunidade.
Afinal, estou me reinventando...

8 de jun. de 2011

Retiro Espiritual (5ª parte)



2ª dia no retiro:
Domingo pela manhã eu já não estava tão animada quanto no sábado. Acho que foi porque minhas expectativas não haviam sido atendidas pois eu esperava algo mais como massagens, mais exercícios de yoga, mais experiências de auto-conhecimento, enfim, atividades mais lúdicas.


Sou muito fechada e não conseguí interagir com ninguém. Sei que é um erro meu mas eu e minha filha somos assim. 


O grupo também não era animado como o grupo do hotel que nos visitou na noite anterior. Isso acabou me trazendo uma vontade imensa de voltar logo para casa.


Além da saudade do meu filho e da minha gata, sentí saudade das minhas coisas, do meu aconchego, do calor humano do meu lar.


Levantamos às 6h da manhã e às 6:45 estávamos reunidos outra vez para mais uma palestra.
Os exercícios de yoga desta vez foram muito rápidos.


Ficamos soltos outra vez até a hora do café, por volta das 9h.


Depois melhorou um pouco com a caminhada, momento em que eu e minha filha curtimos a natureza, os detalhes, as borboletas (como essa da foto que abre o blog), foi o melhor momento do domingo.


Voltamos, almoçamos, desta vez com as mesas juntas numa tentativa do instrutor de unir o grupo em uma confraternização.


Eu, pessoalmente, não me sentí à vontade já que a única coisa que tinha na mente era voltar para casa. Acredito que as pessoas que formavam o pequeno grupo devem ter achado que eu não tinha nenhum conhecimento sobre nada, com um QI sofrível, pois simplesmente não participei da conversa que girava em torno da teoria das cordas, física quântica, soluções do trânsito na Barra da Tijuca e adjacências, e outras amenidades tais.


Explico: gosto de expor todas as minhas crenças e teorias pessoais quando estou de bom humor, já que este nível de conversa provoca debates interessantes e culturais. Mas aquele não era meu momento. Caso eu expusesse minhas idéias ao grupo, o assunto se estenderia "ad infinitum" e meu tesão de ir embora se adiaria mais e mais.


A esta altura, já havia arrumado a mala, deixando apenas as roupas que usaríamos para voltar.


Quando finalmente o instrutor conseguiu uma carona para que voltássemos ao Rio (e para mim, voltar para a rodoviária de Teresópolis já estaria de excelente tamanho), corremos para nos vestir (minha filha estava tão ansiosa quanto eu) e descemos com malas e mochilas aguardando a carona partir.


O monge-instrutor nos chamou mais uma última vez para nos abraçarmos, agradecermos o momento e nos despedirmos.

5 de jun. de 2011

Retiro Espiritual (4ª parte)



Acomodações
1ª dia no retiro:
Sala de Meditação e Yoga
Combinamos de nos encontrar às 7:50 para nossa primeira aula de Pranayama (controle dos movimentos da respiração).


Na sala estávamos apenas eu, minha filha, um casal e uma moça além do monge, é claro.


Acredito que por sermos um grupo pequeno, a instrução foi melhor apreendida.


Pelo menos para mim, gostei muito dos exercícios pois ao sair sentia meu corpo totalmente revigorado, sem os nós musculares que me acompanham devido à minha ansiedade e estresse.


Devo confessar que cochilei em alguns momentos da palestra pois nosso instrutor, embora conhecedor profundo de todas as técnicas, possuía uma voz sem alterações no tom, utilizada para relaxamento mesmo, o que me fez "bater cabeça" durante sua apresentação.


Fiquei muito sem graça com isso mas era algo incontrolável. Minha filha confidenciou-me que caiu no sono diversas vezes também (que falta de educação a nossa...).


Fomos convidados a participar de um momento espiritual hare-krishna no templo onde observamos um monge explicando aos seus discípulos o conteúdo do Bhagavad-gita. Eles têm o costume de se levantar às 4:00 da manhã (momento em que uma espécie de sino é tocado chamando os fiéis para as orações) e se reúnem no templo para cantar e louvar Krishna. Ficam assim até às 8:30, em jejum.


Interessante ver como vivem esses seguidores. Estão envoltos em orações, cultos, cânticos, mantras, tudo tão diferente do mundo em que vivemos...


Finalmente fomos convidados para o café da manhã. Gente, o que é aquilo? Que deliciosa era a comida. Muita fartura também mas, não se esqueçam, tudo super natural.
Pão (preto), queijo branco, manteiga sem sal, café com leite (de um sabor que não sei identificar), bolo - uau, só delícias.


Com tempo disponível, caminhamos por entre as árvores, tiramos muitas fotos das instalações e, por volta das 13h fomos almoçar.
Lago


Outra vez, pratos e mais pratos de comida lactovegetariana deliciosa.


Repetimos 2 ou 3 vezes os pratos. Queria tanto estas receitas !


Ficamos de nos encontrar outra vez por volta das 17h para mais uma palestra e, às 18h, começaria um cerimonial no templo.


Mais uma vez perdí a hora pois apagamos na cama. Com aquele frio, só queríamos ficar embaixo das cobertas. Foi um soninho muito gostoso.


Às 18h fomos ao templo e ficamos surpresas pois outro grupo (desta vez bem grande) que estava hospedado em um hotel mais acima veio participar do evento. Ficou super animado quando começaram a cantar e a dançar. 


Após a oração (da qual não participei) foi a vez do jantar. Percebí que o jantar é como uma ceia, igual à noite em que chegamos, com alimentação bem leve.


Embora tenha levado alguns biscoitinhos, batatinha frita, chocolate e outras guloseimas, para o caso de sentirmos fome entre as atividades, somente desfrutei delas na primeira noite, logo que chegamos já que o jantar é muito leve e eu estava com muita fome. 


Mais tarde, por volta das 20h houve a cerimônia do fogo onde, de acordo com eles, tudo o que é ruim pode ser queimado nas chamas (inveja, depressão, mal estar...). Será que queimam preguiça também?


A cerimônia também foi muito animada pois o grupo do outro hotel retornou.


Pularam e dançaram ao som dos mantras e tambores até às 21h e então fomos todos dormir.


Na próxima publicação, nosso segundo dia no retiro.



Para acompanhar:


1 de jun. de 2011

Retiro Espiritual (3ª parte)



Continuando minha viagem, passamos por cada lugar lindo. Subindo a serra, vimos lugares que vendem queijos e vinhos, uma gracinha. Ah, se eu tivesse um carro...
E as montanhas... desenhadas por séculos de ações da natureza.
Procurei absorver cada detalhe que passasse por meus olhos.
Até que... paramos. Não acreditei. Um engarrafamento? 10 minutos, 20, 25 minutos parados. Um acidente, só pode ser. Mas até aqui esses engarrafamentos me perseguem? Já não basta a Av. Brasil diariamente?
Começamos a andar. Oba, legal, agora vamos.
Cinco minutos depois, de novo. E aí ficamos uns 30 ou 35 minutos. E andamos de novo. E paramos de novo.
Acontece que estão alargando a pista e em determinados trechos da serra o trânsito passa a ser de mão única. Então, fecham um lado e abrem outro. Depois alternam. E depois alternam de novo.
Sei que cochilei umas duas vezes sem sair do lugar.
Relaxa Fátima. É a vida!
Quando finalmente chegamos a Teresópolis, parecia que estávamos em uma daquelas cidades do sul do País, igual às fotos e vídeos que assistíamos na televisão.
Tão fofinha, tão engraçadinha, tão limpinha. Os prédios são diferentes, o visual é diferente, tudo é tão... tão... diferente!
Rodamos um pouco pela cidade e chegamos à rodoviária.
Credo, o que é aquilo? Uma cidade tão bonitinha com uma rodoviária daquela? Até a rodoviária de Campo Grande é melhor que aquilo!
Três minutos depois que descemos, minha filha virou um picolé.
Eu, com a adrenalina a mil, sentí o vento gelado mas nem fiquei arrepiada.
Agora, meu próximo passo era encontrar o ônibus que iria me levar na entrada de Albuquerque.
Pergunta daqui, pergunta dali, chegamos a uma lanchonete cujo atendente foi muito gentil. Explicou-nos direitinho onde poderíamos pegar o ônibus, disse que ele passava de hora em hora, e que passaria um às 18h.
Deu tempo para fazermos um lanchinho e, com a mala de 30Kg embaixo do braço, lá fomos nós.
Mais perguntas pois como estamos em uma cidade desconhecida, errar o ponto de ônibus era a última coisa que queríamos.
Paradas no ponto, observamos as pessoas e o local. Muitas lojas, muito movimento. Poucos ônibus.
Reparei que existem poucos animais de rua em Teresópolis. E os poucos que vimos, eram grandes e gordos.
Será que os cachorrinhos abandonados daqui são melhor tratados? Espero que sim.
O tal ônibus da 18h não veio, nem às 18:15, nem às 18:20. Ah é, somos todos brasileiros. Embora tenha a impressão de estar em outro país, estou mesmo é na terra brasilis. Desrespeito ao horário é uma epidemia nacional.
Enquanto mantinha contato com o monge por telefone indicando minha atual localização, resolví entrar no ônibus para Vargem Grande que, de acordo com minhas orientações, também passaria no ponto de encontro.
Fomos muito bem tratadas também. Percebí nesta cidade que as pessoas parecem mais atenciosas, mais educadas do que no Rio. Todos dão informações com um sorriso no rosto e explicam direitinho o caminho a seguir. Parabéns ao povo de Teresópolis.
Finalmente chegamos ao ponto de encontro onde já havia uma mulher que também estava esperando o monge para seguirmos viagem.
Foi somente então que comecei a sentir frio. Agora, com o caminho quase completo, meu corpo percebeu que a temperatura estava abaixo do que estava acostumado e deu sinais de congelamento nas mãos e nos pés.
Bravamente e ansiosamente, fiquei aguardando a chegada daquele que iria nos conduzir ao retiro.
Deste momento em diante procurei me desligar do relógio e quando ele chegou, feitas as apresentações, seguimos seu carro adentrando o mato, passando por sítios, fazendas até chegarmos ao Ashram Vrajabhumi.
Que local lindo! À noite não podemos ver a beleza total do lugar mas já deu para sentir a pureza do ar em nossos pulmões.
Fomos recebidos por um dos responsáveis pelo Ashram que nos deu a chave do nosso quarto, convidou-nos a nos alojar e, em seguida, descer para o jantar.


Ficamos em um quarto com uma cama de casal e uma de solteiro. Torcemos para não termos que dividí-lo com ninguém pois eu e minha filha queríamos privacidade.
O quarto era todo em madeira (paredes e chão). 
As toalhas da cama de casal estavam dispostas em formato de coração. Por cima, colocaram um sabonetinho de erva doce com florzinhas secas. Uma gracinha.


Exploramos o quarto, muito animadas. Essa porta que aparece na foto dava para o banheiro. À direita havia outra porta que dava para a varandinha.


Os quadros faziam alusão à Krishna pois o local é, na realidade, residência dos devotos de Krishna e tudo, comida, vestimenta e costumes, são relacionados a essa religião.
Nos acomodamos, deixei finalmente minha bolsa de 40Kg em um canto (que, se vocês perceberam, começou nossa aventura com 10Kg mas foi aumentando gradativamente com o tempo - rs).
A comida foi bem simples mas muito saborosa: sopa, verduras e legumes, molho, suco de beterraba com laranja e algo mais que não me lembro. Tudo muito gostoso.
Após esta ceia voltamos ao quarto, tomamos banho tendo o cuidado de temperar bem a água pois estava muito frio, e fomos dormir.
Finalmente havíamos chegado e agora estávamos ansiosas para que o local atendesse nossas expectativas, que eram: paz, yoga, meditação, auto-controle. 
Continuo no próximo artigo, onde levarei vocês a um mundo totalmente diferente da agitação urbana.
Aguardem!



Para acompanhar:

29 de mai. de 2011

Retiro Espiritual (2ª parte)



Como comentei na última postagem, fui a um retiro no final da semana passada (dias 20, 21 e 22 de junho) acompanhada da minha filha.
Saímos de casa por volta das 13:20 de sexta, com uma mala super pesada pois, conforme eu havia pesquisado anteriormente, a temperatura à noite era de 9° (sou carioca, convivo com 40° - quase morrendo - e o máximo de frio que encaro é 17° - completamente agasalhada). Logicamente, minha mala continha tudo o que pudesse nos esquentar nesta empreitada.
E, como sou uma pessoa muito precavida, levei também lanche, roupas extras, manta, tênis, papel higiênico, artigos pessoais, livro, revista, mp4, e tudo o mais que achei que fosse precisar para ficar quase 3 dias fora.
E lá fomos nós. Pegamos uma kombi na porta da minha casa até o ponto final do expresso que leva à rodoviária.
Ao descer do ônibus, minha bolsa de 10Kg arrebenta a alça (que maravilha!) e passo a carregá-la como se fosse um camelô carregando sua muamba para montar a barraca na Uruguaiana...
Chegamos à rodoviária, ainda com o espírito da aventura e nos encantamos com o terminal.
Tá, não tem nada de mais mas para quem nunca viajou, este é um momento e tanto. Só não batí fotos para não pagar mico.
Compramos a passagem e, enquanto estávamos na fila, fomos abordadas por um rapaz que queria nos vender uma passagem para o ônibus das 15h. Como éramos duas, não ví razão para adquirí-lo. Ele ofereceu o mesmo bilhete para minha filha (qual parte do "não, obrigada, somos duas" ele não entendeu?!?). Isto me preocupou pois já começava a pensar que não conseguiríamos embarcar às 15h e que talvez só tivesse passagem às 16h, o que significaria ficarmos mais de uma hora no terminal, esperando o tempo passar.
Meu temor não foi confirmado pois a passagem que conseguimos era para o ônibus extra das  15:15h. 
Uma reclamação: as passagens somente podem ser adquiridas com dinheiro vivo, sem cartões de crédito nem de débito. Que absurdo! Isso facilita a ação de ladrões uma vez que somos obrigados a carregar dinheiro, em espécie, para viajar.
Algo que pudemos observar é que mesmo não sendo véspera de feriado, um dia comum eu diria, a rodoviária Novo Rio estava cheia, com pessoas viajando para todos os cantos do Rio e do Brasil. Que interessante... Imagine em dias comemorativos, aquilo deve ser um formigueiro!  
Lanchamos, fomos ao banheiro para uma última checada antes da viagem.  (Atenção, eu disse checada, e não o que você pensou... rs)
Estávamos muito ansiosas. Já disse que queria tirar foto de tudo?
Chegamos perto do ônibus, algumas pessoas já estavam embarcando, mas vimos que aquele era o das 15h. Encostamos em um canto e ficamos esperando o nosso.
Alguns minutos depois, veio um outro homem nos oferecendo de novo um bilhete para aquele ônibus que estava se preparando para sair. Mas que saco, de novo? Só que este não tinha a menor pinta de quem iria viajar... de bermuda, camisa de manga, cabeludo, muito estranho. Ele só queria trocar as passagens.
Como carioca, cá estou eu querendo saber qual é a jogada desta troca, pois nada nesta cidade passa impune. Se ele estivesse vendendo a um preço superior, eu entenderia. Isso acontece o tempo todo com ingressos para jogos de futebol, para shows, o que for. Mas a troca pela troca? Deixa prá lá. Eu quero é viajar. Mais uma vez, despachei o cidadão e continuamos aguardando nosso ônibus.
Finalmente o ônibus chegou. Mandei minha filha embarcar pois queria colocar minha bolsa (a de 20Kg) no bagageiro. Afinal, havia um funcionário passando um detector de metal nas bolsas e nas pessoas. Na minha mala havia sombrinha, celulares, chaves, que se aquele detector acusasse, iria me dar um trabalho e tanto para tirar tudo da mala e mostrar. 
Estranhei que ninguém ficava retido ao passar pelo detector. 
Bom, a hora foi passando, 13:15, 16, 17. É, brasileiro não tem jeito mesmo. Ninguém respeita horário. Nem o funcionário do bagageiro. Como ví que muitas pessoas entraram com mala, sinalizei para minha filha se havia espaço para deixá-la e ela confirmou que sim.
Entrei, passei pelo tal detector que, obviamente, não detectou nada. Nem se eu estivesse com uma pistola, aquela joça detectaria. Ai meu Deus! Isso significa dizer que qualquer um entra armado.
Fátima, deixa de neura, minha filha...
Espantei os maus pensamentos. Nada iria abalar meu dia nem minha viagem.
E, oh Gloria!, o motorista entrou, ligou o ônibus e a emoção foi inenarrável.
Está bem, parece coisa de adolescente, mas eu sou uma adolescente de quase 50 anos. Dá licença?
E saímos do terminal, nos primeiros bancos, de frente para toda a paisagem.
Foi fantástico.
Pegamos a linha vermelha e seguimos viagem até Caxias, Jardim Primavera e lá fomos nós.
Vimos tantas coisas, tantas paisagens que acredito que passem desapercebidas pelas pessoas normais, mas para nós, era algo maravilhoso.
Na próxima postagem continuo minha narrativa.
Agora estou relembrando minha euforia.
Beijos.





Para acompanhar:

21 de mai. de 2011

Retiro Espiritual



Se você estiver lendo meu artigo hoje (21 e 22/05) estarei fazendo um retiro espiritual em Teresópolis.
É a primeira vez que realizo uma atividade assim. Estou em busca de paz e, coincidentemente, encontrei na internet este ashram.
Como estou na fase "Elizabeth Gilbert" (Comer, Rezar e Amar), resolví pular a primeira parte e fui direto para a segunda.
Quando retornar, narrarei minha experiência que, espero, seja fascinante...
Beijos a todos.


Namastê 


Para acompanhar:
Retiro Espiritual - 2ª parte
Retiro Espiritual - 3ª parte
Retiro Espiritual - 4ª parte
Retiro Espiritual - 5ª parte
Retiro Espiritual - 6ª parte (De volta para minha casa)
Retiro Espiritual - 7ª parte (De volta para minha casa)





Onde estão nossas árvores? (Denúncia)



Sou uma pessoa muito emotiva quando se trata de natureza. 
A tal ponto de não suportar ver quando alguém está cortando uma árvore, principalmente aquelas saudáveis, imensas, centenárias.
Às vezes são pessoas comuns, que querem arrancar a árvore porque deseja asfaltar o quintal, ou porque quer estacionar o carro na calçada em frente da sua casa, ou por qualquer outra razão estúpida. 
Dói ver a árvore sendo jogada aos pedaços, com troncos repletos de folhas verdes. Tenho a impressão que estou ouvindo os gritos de dor daquele ser vegetal.
E o homem, esse grande animal predador, vai destruindo-a, torturando-a, de pedaço em pedaço, até chegar à sua raiz, aniquilando-a totalmente.
Lembro-me uma vez em que fui abraçada por uma árvore, no Campo de Santana, e me sentí tão renovada, tão revigorada, que nunca mais me esquecí.
Eu estava sentada num dos bancos de madeira, pensando na vida, num daqueles momentos deprê, quando de repente um vento balançou um dos galhos, cheinho de folhas, e o trouxe até mim, envolvendo-me como em um abraço. Foi emocionante...
Desculpem-me se estou sendo trágica, dramática, desequilibrada, ou outro adjetivo que queiram me presentear, mas não consigo entender essas pessoas.
Às vezes assistia os funcionários da Comlurb (limpeza urbana do município do RJ) realizando esse trabalho e acreditei que, nesses casos, a árvore estava sendo prejudicial em algum aspecto da vida humana, embora não conseguisse entender a razão.
Eis que me deparei com um artigo publicado em uma das edições da Revista do Crea-RJ, muito bem escrito pela Engenheira Florestal Denise Baptista Alves, sob o título "Por uma cidade com árvores", cujo teor transcrevo abaixo em forma de colcha de retalhos, pois do contrário, me estenderia ainda mais:


"A arborização de ruas representa fator indispensável à qualidade de vida nos centros urbanos. As árvores, por suas múltiplas funções, atuam diretamente sobre o complexo organismo que constitui a cidade: suas folhas absorvem compostos carbônicos, fixando poeiras e sólidos em suspensão. Suas copas oferecem sombra, amenizam o microclima e absorvem ruídos; seus troncos, galhos, flores e frutos abrigam e alimentam a fauna, de um modo especial as aves. Além disso, o valor estético da arborização equilibra as paisagens das áreas urbanas densamente construídas.(...)Neste sentido, a despeito de sua importância, a arborização no inconsciente do homem urbano, às vezes, representa considerável obstáculo ao desenvolvimento ou elemento de incentivo à segurança. O que se pode observar é que os projetos urbanísticos, de um modo geral, não dão à árvore a importância devida, ato que pode ser comprovado tanto pelo pequeno espaço reservado ao desenvolvimento pleno do vegetal, quanto por sua constante desvalorização ante outros equipamentos urbanos, como redes aéreas, de esgoto e iluminação.(...)Hoje, na cidade do Rio de Janeiro, cabe à Comlurb incluir em suas atividades essas duas tarefas que são a poda e a remoção de árvore em toda a cidade. Acontece que a normatização, planejamento da arborização e o plantio permaneceram com a Fundação Parques e Jardins. Dessa forma parece que os órgãos não se falam, comprometendo a união das ações (...). Basta olhar ao redor e ver a poda danosa, retirada e/ou a permanência de árvores sem critério nem prioridades definida. Isso é resultado, entre outras causas, da falta de acompanhamento de profissional habilitado (...). Da mesma forma as concessionárias de serviços públicos associadas aos serviços das redes de transmissão e iluminação urbana não contemplam em seus quadros, profissionais habilitados para o acompanhamento dos serviços de poda de árvores, promovendo um verdadeiro caos na condução destes serviços que deveriam ser vistoriados pelos órgãos públicos estaduais e municipais.Denise Baptista AlvesEngenheira FlorestalVice-presidente da Apefer"
 (grifo meu)


E assim vamos caminhando, nesta selva de concreto, cimento, carros de passeio, ônibus e caminhões, respirando gás carbônico, sob um sol inclemente, em direção ao futuro...


Com a palavra, a Comlurb.

18 de mai. de 2011

Vaso sanitário com pia - tecnologia com foco na sustentabilidade



Trabalho em um escritório de engenharia e frequentemente recebo revistas na área de construção civil.
Destralhando minha mesa de trabalho lí uma reportagem da Revista Anamaco um artigo muito interessante sobre reuso da água.
Meu sonho é ter uma casa totalmente sustentável com energia solar, reaproveitamento de água da chuva entre outros mimos. E este vaso sanitário vai para minha lista.
Esta gracinha é da Roca, possui formato inovador aliando beleza, praticidade e sustentabilidade.
Além da economia de espaço, há uma característica que atrai aqueles preocupados na futura escassez da água: o conjunto possui um sistema que permite que a água utilizada no lavatório seja reaproveitada para a limpeza do vaso.
Durante a lavagem das mãos, essa água é filtrada ficando em um reservatório onde recebe um tratamento com cloro, que permite a limpeza contra bactérias. Depois de tratada, fica armazenada em um reservatório e toda vez que a descarga é acionada, a caixa esvazia e é abastecida com a água do reservatório.
O produto custa aproximadamente R$ 6.900,00 e foi criado pelos designers Gabriela e Oscar Buratti.
Achei essa idéia simplesmente genial.
Pena que ainda é para poucos.
Enfim, ainda é permitido sonhar...
E você, o que achou da idéia?



15 de mai. de 2011

Destralhe-se !



O texto abaixo, recebido por e-mail de uma amiga, teve um peso na repaginação da minha vida.
Espero que ajude você também.


Destralhe-se
por Carlos Solano


"... vida nenhuma prospera se estiver pesada e intoxicada. Já ouviu falar em toxinas da casa? Pois são:

  • objetos que você não usa,
  • roupas que você não gosta ou não usa há um ano;
  • coisas feias,
  • coisas quebradas, lascadas ou rachadas.
  • velhas cartas, bilhetes,
  • plantas mortas ou doentes;
  • recibos/jornais/revistas antigos,
  • remédios vencidos,
  • meias velhas, furadas,
  • sapatos estragados...

(...) O 'destralhamento' é a forma mais rápida de transformar a vida e ajuda as outras eventuais terapias. Com o destralhamento:

  • a saúde melhora,
  • a criatividade cresce,
  • os relacionamentos se aprimoram...

É comum se sentir cansado, deprimido, desanimado, em um ambiente cheio de entulho, pois existem 'fios invisíveis que nos ligam a tudo aquilo que possuímos'. Outros possíveis efeitos do 'acúmulo e da bagunça':

  • sentir-se desorganizado,
  • fracassado,
  • limitado,
  • aumento de peso,
  • apego ao passado...

No porão e no sótão, as tralhas viram sobrecarga; 
na entrada, restringem o fluxo da vida; 
empilhadas no chão, nos puxam para baixo; 
acima de nós, são dores de cabeça; 
sob a cama, poluem o sono.


Oito horas para trabalhar, oito horas para descansar, oito horas para se cuidar.


Perguntinhas úteis na hora de destralhar-se:

  • por que estou guardando isso?
  • será que tem a ver comigo hoje?
  • o que vou sentir ao liberar isto?

E vá fazendo pilhas separadas:

  • para doar!
  • para jogar fora!

Para destralhar mais:

  • livre-se de barulhos,
  • das luzes fortes,
  • das cores berrantes,
  • dos odores químicos,
  • dos revestimentos sintéticos...

E também:

  • libere mágoas,
  • pare de fumar,
  • diminua o uso da carne,
  • termine projetos inacabados.

'Se deixas sair o que está em ti, o que deixas sair te salvará... Se não deixas sair o que está em ti, o que não deixas sair te destruirá', arremata o mestre Jesus no evangelho de Tomé.


'Acumular nos dá a sensação de permanência, apesar de a vida ser impermanente', diz a sabedoria oriental. O ocidente insiste a essa idéia e, assim, perde contato com o sagrado instante presente.
(...) as frutas nascem azedas e, no pé, vão ficando docinhas com o tempo. A gente deveria ser assim: destralhar ajuda a adocicar."


Editei as partes mais importantes, que farão a diferença na sua vida como está fazendo na minha.
Estou me destralhando, aos poucos, sem pressa, buscando prazer em tudo que faço.
E quando arrumo um cômodo, um canto, um armário, o quintal, sinto-me renovada e de bem com a vida. A impressão que fica é a de que saiu um grande peso que estava nos meus ombros.


Tente também e conte o que fez e como se sentiu. Adoraria trocar experiências.


Aguardo seu comentário.


Link para o texto completo (valeu pela dica, Ana): 
http://textileindustry.ning.com/profiles/blogs/destralhese-texto-carlos?xg_source=activity



Tempo de Mudanças



Nossa! 2010 passou e postei tão poucos artigos...
No ano passado, minha agenda pessoal ficou muito cheia, com o trabalho ocupando 70%, lazer 10% e família outros 20%.
Alegrias, tristezas, realizações, decepções, e ao final, muitas lições.
Quando 2011 chegou, não me sentí muito bem, fiquei meio entediada, sem esperança... Aquela chata da deprê foi chegando, chegando. Achei tudo muito estranho.
Foi um prenúncio...
Bem, janeiro e fevereiro de 2011 trouxe mais trabalho, árduo, incessante, assustador.
Março trouxe duas grandes decepções, dores por todo o corpo, fadiga, desânimo, crise de pânico. A médica da Clínica de Segurança do Trabalho acusou hipertensão e estresse.
Abril me dei 15 dias de férias. Procurei um cardiologista e um homeopata.
O cardiologista me concedeu mais 15 dias e uns remédios para controlar a pressão.
O homeopata receitou outros.
Voltei a trabalhar no início deste mês e tomei diversas decisões na minha vida. Essas decisões requerem uma mudança radical nos meus hábitos. 
Com o tempo, vou divulgar o resultado dessas mudanças, mas uma delas foi a de voltar para o blog. 
Estou refazendo o design, as tags, reforçando algumas opiniões, alterando outras...
A vida ensina. O tempo corrige. 
Bem vindos ao meu novo blog.
Beijos a todos.