19 de jun de 2011

De volta para minha terra, digo, minha casa - Retiro Espiritual (7ª parte - fim)



Quando o carro voltou a andar, logicamente acordei. A adrenalina a mil. Novas preces.

O caminho de volta pareceu ser três vezes mais longo do que quando fomos. Tentei relaxar vendo a paisagem mas nada conseguia tirar minha atenção do volante daquele carro, das marchas, da velocidade, socorro !

Não abrí a boca para dizer um "a".

Chegamos no pedágio e me sentí na obrigação de dividir. Claro, eu era a caronista. Pagamos o pedágio (eu e a colega dela) e não ouví um "obrigada", muito pelo contrário, a cara que ela fez foi: "oras, vocês estão no meu carro, economizaram dinheiro, agora não fazem mais do que sua obrigação em pagar, já que não estou cobrando a gasolina..."

Na Washinton Luis não foi diferente. A figura deu uma freada na traseira de um carro que gelei e quase meu coração saiu pela boca. Neste instante minha filha acordou e eu, como que ninando um bebê (de 16 anos) disse que não era nada. Ela percebeu meu nervosismo mas fiz sinal com a mão para que se acalmasse.

A mautorista, digo, motorista, reclamou se achando com a razão, concordei (porque eu não estava em posição de discordar) e continuamos a viagem.

Mais orações.

Ela se perdeu pelas saídas da rodovia, xingou uma meia dúzia de motoristas mais uns três policiais, mas lá estávamos nós.

Quando reconhecí alguns locais do Centro do Rio, vibrei. Meu tormento estava chegando ao fim.

Passamos pela perimetral a uns 150km/h (tá, eu exagero, mas foi essa a impressão que tive, vendo a rodoviária, o cais, os prédios, todos correndo - voando -  pela janela).
Pegando a pista que dá para o aeroporto Santos Dumont, chegamos ao Centro propriamente dito. Mais barbeiragens e finalmente ela nos largou no Passeio. Totalmente contramão para mim. 

Só faltou atirar as malas pela porta afora tal a urgência em se livrar de nós. Agradecí (quase mandando ela tomar "suco" %#@$) e agarrei a minha mala com todas as minhas forças, tentando encontrar uma solução para sair daquela situação: domingo, numa área de risco do Centro do Rio, com minha filha e sem idéia de como sair dali.

A tal colega dela que desceu no mesmo lugar e ia pegar o ônibus para a Tijuca despediu-se de mim quando percebeu que eu estava perdida. Eu devia estar com uma cara de assassina.
Lembro que queria gritar feito uma louca para descarregar toda a pressão do meu peito.

A idéia era voltar "zen" e aquela figura conseguiu estragar qualquer resquício de "zenilidade" que eu resgatei do ashram.

Caminhamos por ruazinhas sinistras, até encontrar pessoas com cara de "civilizadas". Lembrei que havia um ponto de ônibus a algumas quadras e conversando com minha filha (com o raio da mala pesada sem alça nos braços) me dirigí ao ponto.

Já imaginava que iria esperar por pelo menos uma hora para que algum ônibus aparecesse (se durante a semana era um horror voltar para casa, imagine num domingo, 8h da noite) e já planejava saltar no meio do caminho e pegando um táxi em seguida, para chegar logo em casa. Não aguentava mais.

Chegando próximo do ponto de ônibus, avistamos um da mesma empresa que atende meu bairro. Ao nos aproximarmos, não acreditei: Jesus deixou um ônibus, que passa na porta da minha casa, esperando por nós. Vazio!

Como agradecí. São esses pequenos sinais que fazem com que eu agradeça sempre, todos os dias, todos os momentos, a benção que Ele nos dá. É como se dissesse: "filha, Estarei sempre aqui, ao seu lado, protegendo você e seus filhos. Não se preocupe e continue acreditando em Mim."

Assim que entramos, o ônibus deu a partida. Uma confirmação do sinal: o ônibus estava esperando por nós. Eu estava feliz demais. Agora poucos minutos nos afastavam do nosso lar.

O ônibus encheu muito durante o trajeto mas isso não me importava.

Quando chegamos, a rota havia sido alterada por conta de um show que estava rolando próximo ao prédio onde moro. Reclamei por ter que andar um pouco para chegar mas logo me arrependí pois eu estava sendo ingrata. Minha filha me lembrou disso e sentí um puxão virtual de orelha. Ela estava certa.

Quando abrimos a porta e ví minha casa, nossa, meus olhos se encheram de lágrimas, abracei meu filho, minha gata e agradecí a Deus mais uma vez.

Bem, essa foi minha aventura de retorno ao lar.

Da próxima vez, vou planejar melhor. Já não serei marinheira de primeira viagem. Encontrei o nome do hotel (aquele do povo animado) em que vou me hospedar cujas fotos encheram nossos olhos (minha filha já quer embarcar nas minhas aventuras), que tem massagem, yoga, restaurante, piscina, hidro, quarto com tv, frigobar, rede na varanda e liberdade (por isso aquele povo estava tão animado). E vou levar mais dinheiro para a volta, nem que eu tenha que contratar previamente algum serviço de taxi. Ou seja, entro quando quiser, saio quando quiser, faço o que me der na telha. O detalhe é que o preço cobrado hoje é o mesmo que paguei no ashram. (?!?)

Mas valeu a pena. O lugar que fui é muito bonito, aprendí a "ouvir" minha respiração, reduzí a pressão do meu trabalho não permitindo que ele domine minha vida, estou me dedicando a estudar assuntos que sempre me fascinaram, faço tudo com mais prazer sem me cobrar tanto.

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