19 de jun de 2011

De volta para minha terra, digo, minha casa - Retiro Espiritual (6ª parte)



Continuando conforme prometí no 5º capítulo da minha aventura "Retiro Espiritual", vou contar agora como foi nossa experiência (minha filha e eu) de retorno da viagem.


Nossos corações bateram descompassadamente no momento em que entramos no carro, com as malas no colo, pensando no nosso lar. Não víamos a hora de chegar. Talvez por não termos o hábito de passarmos muito tempo fora de casa, nos sentíamos como peixinhos fora d'água.


A mulher que nos deu carona, embora tenha feito uma boa ação para conosco, não parecia estar muito satisfeita com nossa presença. Pelo menos foi essa a impressão que me passou.
Estávamos acompanhadas de uma outra moça que havia feito amizade com ela no ashram e isto, de certa forma, poupou-me de ser amistosa com alguém com quem não sentí afinidade.


Sei que estou sendo muito presunçosa mas sempre tive esse radar comigo. Talvez, por ser muito observadora e ter uma sensibilidade mais à flor da pele, consigo sentir a aura das pessoas e (talvez esteja sendo indelicada e mal agradecida) esta mulher em especial não me passou um sentimento de bem estar com sua presença.


Como disse antes, minha intenção era ter uma carona para a rodoviária. Como o monge disse que ela nos levaria até o Rio, minha filha convenceu-me a aceitarmos.
Bem, já dirigí durante algum tempo e conheço as manobras de trânsito, mas ela quase conseguiu me convencer o que já é conhecido entre os homens: mulher dirige mal.
Aquela dirigia. E muito mal. Quando estávamos no centro de Teresópolis, comecei a me arrepender. Ela cortava os carros, pulava da direita para fazer uma curva à esquerda passando na frente de outros veículos sem sinalizar, acelerava constantemente, forçava o carro na 3ª marcha (acho que só conhecia essas três), um horror.


Comecei a rezar.


Entre minha filha e eu havia a mala. Providência nº 1: trocar a mala de lugar com a minha filha, deixando a porta longe da minha pimpolha. Se algo deveria voar pela porta, que fosse a mala. Eu, me agarrando de um lado, e abraçando minha filha do outro. O instinto de preservação da minha espécie falou mais alto.


Quando lembrei da Serra, minhas orações tornaram-se mais intensas. Obviamente, eu estava com razão. A cada curva, eu suava e arregalava os olhos para a janela, avistando os despenhadeiros. Meu Pai! Que sufoco! A mulher fazia as curvas como se estivesse numa pista de corrida.


Finalmente a primeira intervenção no trânsito. Por conta das obras, fomos obrigadas a ficar alguns minutos (que pareceram séculos) paradas esperando que nossa mão tivesse a vez de atravessar a pista única. Não sabia se ficava feliz ou triste porque uma vez paradas, no meio do nada, significava que o sonho de voltar para minha casa ficava cada vez mais distante. Por outro lado, a mulher não estava dirigindo e isso dava uma certa segurança (falsa, mas dava tempo de renovar minhas preces). Cochilei por alguns instantes, sendo vencida pelo meu cansaço, ouvindo as proezas que ela contava para amiga, de como ganhava muito bem no serviço público, de como era dominante com os subalternos, que morava sozinha num apartamento da zona sul, que tinha TV de plasma de não sei quantas polegadas, enfim, "gente fina"...


Quando o carro voltou a andar, logicamente acordei. A adrenalina a mil. Novas preces.


Continua ...



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